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Capsulite adesiva

A capsulite adesiva é um quadro comum relacionado a articulação do ombro. A capsulite adesiva é caracterizada por uma redução gradual da amplitude de movimento (normalmente da rotação lateral) e dor no ombro.

Por: Luiz Scola – São Paulo

O termo capsulite adesiva foi descrito por Neviaser em 1945 e é utilizado preferencialmente ao termo ombro congelado. O termo ombro congelado pode levar o paciente a se sentir fragilizado devido a sua condição.  O tratamento da capsulite adesiva é, tipicamente, conservador. O tratamento cirúrgico deve ser considerado em casos de falha do tratamento conservador2. A capsulite adesiva pode ser classificada em primária (sem causa definida) ou secundária (pós trauma ou doenças sistêmicas)3.

A capsulite adesiva pode ser caracterizada em 4 estágios:

Estágio 1 (até 3 meses)Dor ao final das ADMs

 Redução mínima de ADM

Dor durante a noite

Diagnóstico de SDO pode ser realizado

Procurar pelo Manguito Rotador intacto

Estágio 2 (de 3 a 9 meses)
Redução importante de ADM devido a dor

Sinovite agressiva

Redução de ADM mesmo sob anestesia

Estágio 3 (de 9 a 15 meses)
Redução importante de ADM e dor

Sinovite

Fibrose capsuloligamentar

Estágio 4 (de 15 a 24 meses)
Dor começa a melhorar (tende a desaparecer)

Redução de ADM permanece mesmo sob anestesia (pode se manter por anos)

Anatomia e Biomecânica

Os pontos anatômicos mais relevantes quando falamos de capsulite adesiva são relacionados a capsula articular. 

A articulação glenoumeral é uma articulação sinovial. A cápsula glenoumeral, o ligamento coracoumeral e os ligamentos glenoumerais constituem o complexo capsuloligamentar do ombro.

Nos casos de capsulite adesiva, é observado um acúmulo de fibroblastos e células inflamatórias na região do intervalo rotador. É comum observarmos o acúmulo de colágeno tipos I e III na capsula articular de indivíduos com capsulite adesiva. Isto levou a capsulite a ser considerada um quadro fibrótico 2.

 

Epidemiologia  e patoanatômia 

A incidência da capsulite adesiva primária é de 2 a 5.3% na população geral e da secundária é de 4.3 a 38% (quando relacionada, principalmente, a diabetes mellitus). 

Os principais fatores de risco associados ao aparecimento da capsulite adesiva são a diabetes mellitus e sua duração (quanto maior o tempo com a doença maior a probabilidade do desenvolvimento da capsulite), doenças da tireóide e a idade (o aparecimento da capsulite é mais comum entre 40 e 55 anos).  Uma característica importante da capsulite adesiva é que, entre 5 e 34% das pessoas que desenvolvem a capsulite tendem a desenvolver este quadro no ombro contralateral.

Em pacientes com capsulite adesiva são, normalmente, observadas alterações como sinovites, neo angiogêneses, novas formações de terminações nervosas e fibrose capsulo ligamentar.4 

Avaliação

Em casos de suspeita de capsulite adesiva, exames de imagem devem ser utilizados apenas para exclusão de outras patologias (como fraturas, lesões do manguito rotador ou patologias cervicais). Além disso, devemos observar se existe uma redução da amplitude de movimento. Para que o diagnóstico de capsulite adesiva seja feito, a redução de amplitude de movimento deve ser de mais que 25% em dois ou mais planos e mais de 50% de redução para rotação lateral do ombro.

Durante a avaliação de um paciente com capsulite adesiva devemos nos atentar ao grau de irritabilidade do tecido. O grau de irritabilidade pode ser avaliado das seguintes formas4,2

Grau de irritabilidade baixo

Dor menor que 3/10

Sem dor noturna

Dor apenas em “overpressure” em ADM extremas

ADM ativa é a igual a passiva

 Grau de irritabilidade moderada

Dor 4-6/10

Dor noturna intermitente

Dor em ADM passiva e ativa extrema

ADM ativa é similar a ADM passiva

Grau de irritabilidade alta

Dor >7/10

Dor noturna consistente

Dor antes do final das ADMs passivas e ativas

ADM ativa é menor que a ADM passiva devido a dor

Tópicos de tratamento

– A cirurgia de liberação capsular apresenta melhores resultados para amplitude de movimento porém o programa de tratamento conservador via reabilitação apresenta melhores resultados para dor5.

– A educação do paciente deve ser utilizada para descrever o curso natural da doença, promover modificações de atividades que façam o paciente sentir menos dor e encontrar o nível adequado de exercícios para cada nível de irritabilidade 4,6

– Eletroterapia pode ser utilizada desde que em conjunto com exercícios ativos de fortalecimento e alongamento das estruturas acometidas no ombro 4

– Terapia manual pode ser utilizada para melhora da dor e amplitude de movimento da articulação glenoumeral (deslizamentos posteriores são mais indicados)3,4 

– Alongamentos e fortalecimento muscular podem ser utilizados após a avaliação criteriosa das estruturas envolvidas4.

Critérios de alta

Os critérios de alta em pacientes com capsulite adesiva devem estar ligados diretamente a função e, nem sempre, a amplitude de movimento de maneira isolada.

Pacientes pós reabilitação de capsulite adesiva devem conseguir realizar suas atividades do dia a dia sem dor ou limitação. Caso a limitação ainda esteja presente, mesmo que apenas para amplitudes de movimento maiores, o trabalho de ganho de mobilidade, alongamento e fortalecimento muscular devem se manter presentes durante o programa de reabilitação. Além disso, o auto relato do paciente é de vital importância para que o profissional de reabilitação consiga ter consciência das próximas etapas do processo de reabilitação e possíveis objetivos a curto, médio e longo prazo. 

Referências

Cho CH, Lee YH, Kim DH, Lim YJ, Baek CS, Kim DH. Definition, diagnosis, treatment, and prognosis of frozen shoulder: A consensus survey of shoulder specialists. CiOS Clin Orthop Surg. 2020;12(1):60-67. doi:10.4055/cios.2020.12.1.60

Fields BKK, Skalski MR, Patel DB, et al. Adhesive capsulitis: review of imaging findings, pathophysiology, clinical presentation, and treatment options. Skeletal Radiol. 2019;48(8):1171-1184. doi:10.1007/s00256-018-3139-6

Johnson AJ, Godges JJ, Zimmerman GJ, Ounanian LL. The effect of anterior versus posterior glide joint mobilization on external rotation range of motion in patients with shoulder adhesive capsulitis. J Orthop Sports Phys Ther. 2007;37(3):88-99. doi:10.2519/jospt.2007.2307

Kelley MJ, Shaffer MA, Kuhn JE, et al. Shoulder pain and mobility deficits: Adhesive capsulitis: Clinical practice guidelines linked to the international classification of functioning, disability, and health from the orthopaedic section of the american physical therapy association. J Orthop Sports Phys Ther. 2013;43(5). doi:10.2519/jospt.2013.0302

Forsythe B, Lavoie-Gagne O, Patel BH, et al. Efficacy of Arthroscopic Surgery in the Management of Adhesive Capsulitis: A Systematic Review and Network Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. Arthrosc – J Arthrosc Relat Surg. 2021;37(7):2281-2297. doi:10.1016/j.arthro.2020.09.041

Diercks RL, Stevens M. Gentle thawing of the frozen shoulder: A prospective study of supervised neglect versus intensive physical therapy in seventy-seven patients with frozen shoulder syndrome followed up for two years. J Shoulder Elb Surg. 2004;13(5):499-502. doi:10.1016/j.jse.2004.03.002

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